Tenho vergonha da minha pobreza
Do meu sapato gasto
Das roupas surradas que visto
Das minhas mãos maltratadas
Tenho vergonha...
De estar sempre pelada
Sem dinheiro,
Sem comida no prato
Tenho vergonha de ser pobre-
isto me enche de raiva...
Embaralha meu futuro,
Da vitória me afasta
Tenho vergonha
Pois sim, tenho vergonha
Mesmo sabendo
Que vergonha é ser pobre de alma
Lamentavelmente tenho vergonha
E sinto vergonha de ter vergonha...
Vergonha de ser pobre
Mesmo tendo honra.
O que eu seria sem ti?
Uma morta viva
Um corpo sem alma
Um jardim sem flores seria
Até onde eu iria?
Iria ao céu
Falaria com Deus
Xingaria o demônio
Ao inferno desceria
Rastejaria no gelo
Até a hipotermia
No fogo me queimaria
Até derreter meu corpo
Incessantemente falaria
Mesmo sendo tão calada
E mesmo sendo eu pacata
Guerra ao mundo declararia
E mataria e morreria
Roubaria e mentiria
Caluniaria e blasfemaria
Por ti, na escuridão padeceria
Eternamente, entre dores e sangrias
Punhaladas no peito
Aflicões torturantes na alma
A tudo, por ti, me sujeitaria
Tudo para te ter comigo
Faria indulgente, sem pensar
Sem receio ou covardia
Pagaria qualquer preco
Pelo simples som da tua voz
Mandaria calar-se o mundo inteiro
Para que não se perca este som sublime
Que tanto traz-me contentamento
Me ajoelharia diante de um inimigo
Me humilharia diante de um infame
Qualquer coisa faria
Para te provar meu sentimento
Se me faltasse pão e água à mesa
Tua presenca, minha sede mataria
E só de beijos viveria
Se estes fossem teus.
Foi mais a contragosto que te mostrei meus sentimentos...
Evadi, tentei fingir sem conseguir
Contive sorrisos, fechei os olhos, tentei não suspirar na tua presen;a
Para que tu não percebesses o ardor,
o raiar da aurora do amor
Tentei parecer displicente,
Relutando em entregar-me a ti...
Fingindo ser fria, não te percebendo
Fingindo não sentir o que sentia
quando te aproximavas sorridente
Mas cansei de digladiar em inútil guerra
E como poderia vencer esta?
Se minha razão dizia-me:
"- Fuja!
Te entregarás a ele... e a desilusão, ao desespero e a solidão.
É o desolamento que te espera."
E meu coracão,
Já contagiado, ébrio, embevecido
Com mais autoridade dizia:
"- Entrega teu coracão!
É o amor que te bate à porta,
Presente do céu para toda a gente,
não o renegues, vais em frente!"
Como poderia fechar a porta e partir?
Se vinhas tu, Apolíneo, voz de cetim
frases em doces banhadas,
olhos candentes,
promessas veladas...
E quem poderá lutar contra o amor?
Se está entravado no nosso caminho
E há uma for;a maior que nos impele
A vivenciá-lo, a senti-lo
Sem relutar ou desitir
Mesmo sabendo que é incerto o futuro...
Lágrimas adiante?
Ou sorrisos sem fim?
Bolas de cristal, cadê?
Havemos de deixar a vida fluir.
No recôncavo do peito estás
Insculpido, entalhado na memória
Em pensamentos te evoco, te idolatro
Sem te deixar escapar
Do meu cora;ão insano
Não és inquilino
Insígnia de minha alma
És propritário inquietante
Portanto,
Impossível te tirar dos pensamentos
Esquecer-te por um minuto ao menos
Fazer com que desassombres meu espírito
E mesmo se pudesse...
Não gostaria de tê-lo longe
Mesmo não estando perto,
Sempre, sempre estás comigo.
Tu, querido
Com esta veleidade
Este teu olhar
repleto de lubricidade
Tu, amado
Com estes teus desejos
Esta tua mania voraz
De me querer
Tu, carinho
Com este teu capricho
Uma vontade inquebrentável
De não me dar sossego...
Tanto me atormentas, tanto
Que perco o sono
Fico em ti pensando
Contigo, é certo, sonho
Tu que não me dá descanso
Me perseguindo o tempo inteiro
À noite, ou dia
Sou teu passatempo
E só não me entrego
de vez a ti,
a este sentimento que transborda,
Porque sei que para ti,
não sou nada sério,
não sou nada mais...
Sou um detalhe - efêmero.
Solu;o, tremo e lamento
Abandonar, não consigo, meus tormentos
Libero do fundo do espírito
Cálidos suspiros
Que me reprimem se os mantenho
Porque preciso libertar-me
Libertar esta dor que se prende
No meu íntimo
Subjugando, deprimindo
Fumo, por que suspiro
Assim dizia o poeta
E choro,
Choro profundissimamente
Que com o choro
Exorto toda a minha dor.
Tenho o cora;ão
Aos poucos carcomidos
Pelos teus dentes caninos
Minha pele,
Desfaz-se em ardências
Com o fel de tua língua
E minha alma,
Arde em chamas
No calor dos teus sentidos
Minha alma - posse tua.
Não sou mais dona
nem de mim,
nem das minhas vontades...
Sou escrava
Algemada e ultrajada
Sem me crer de outra forma.
Respirando teu ar,
sorrindo teu sorriso,
alimentando-me de tua presen;a,
com pensamentos e sonhos presos em ti,
perdida e despida de vergonha...
Só assim existo.
Foi amor de brincadeira, eu sei
Nunca amou-me como eu te amei
Não suspiraste nenhuma vez
como eu tantas vezes o fiz
E as lágrimas que derramei
Inundando o mundo inteiro
Não chegaram a tua porta
Não tivestes conhecimento
Fui enganada como jamais pensei
A ti confiei a alma
Meu cora;ão entreguei
Meu destino te doei
E tu, num belo dia
De repente, simplesmente
Disseste adeus
sem muitas palavras
desviando os olhos dos meus
Inundados de lágrimas
Adeus, sem explica;ões
"Não dá mais...", tu disseste
Jogando no lixo
Atirando ao vento
A parte mais rica minha:
a que dediquei a ti.
Vivo às escuras
mesmo de luz acesa;
Ou;o trovoadas
mesmo num dia limpo
E escuto,
ecos melancólicos que vem de algum lugar
Vivo num vale de sombras
Tentando encontrar o que procuro
Ou talvez nem isto resolva curar
Esta minha ferida dolorida
Esta solidão,
me atormenta, me fatiga
Pois não tenho momentos para partilhar
Nem ombro pra dormir,
Alguém com quem contar
Nem lábios pra beijar,
nem perfume pra sentir,
cabelo pra afagar,
outra alma - pra navegar
Vivo - pois não há outro meio
Espero - pois não sei como agir
Choro - que parar não consigo
Entregue a uma falta de acalento,
falta de amor...
Mesmo tendo o cora;ão destes repleto.
Criei este Blog para divulgar meus poemas.
Dedico estes a todos que gostem de poemas ou que queiram enviá-lo para alguém especial!
Amor, paixão, desilusão e outros sentimentos que permeiam o íntimo de todos nós farão parte deste Blog...
Para aqueles que gostam de poemas, bom proveito!
(Trabalhos Registrados por Gisele Teisy)
|
||
|